Emy,
Eu não consigo ver Sherlock sem identificar a gente. Você como o Holmes, o cérebro, a inteligente, o QI elevado, a logica, carefree. E eu como o Watson, ingenuo, romântico, sonhador, fazendo inumeras tempestades em copos d'agua, vivendo as sombras do melhor amigo.
No 1° episodio da 3° temporada, o Sherlock volta de uma morte farsada depois de dois anos fingindo que estava morto. Ele não entende porque o Watson ficou tão bravo, mas deixa que ele lhe bata. O Watson não entende porque o Sherlock acha que ele não deva ficar bravo, e quando a noiva dele rir e concorda com Holmes, ele diz "por que eu sou o único que está vendo as coisas como uma pessoal normal?".
O ponto é: eu não entendi porque a noiva dele riu, e fiquei com raiva do Sherlock por não entender que estava errado. Eu me senti no lugar do Watson. Sinceramente. Eu o compreendo.
Eles brigam e ficam sem se falar até que Watson é sequestrado. Mais ou menos no meio do episodio, Sherlock arrisca sua vida para salvar a de Watson. Ele podia ter morrido, ele nem precisava roubar uma moto e correr a 220 km/h por hora para ir atrás do amigo. Mas ele did. Porque eles são amigos. E eles dependem um do outro. Assim como a gente.
O John tava lá, o tempo todo no mesmo lugar. Ele não se mudou, ele arranjou uma namorada, um emprego, ele estava deprimido. O melhor amigo dele tinha morrido, vei! E aí BAM o melhor amigo dele não morreu! O melhor amigo dele esteve viajando pelo mundo durante dois anos inteiros sem dar a menor satisfação. Ele fingira que morrera. Suas pseudo ultima palavras foram para o John. "Goodbye, John" e #morto e aí #vivo e ele queria que o Watson o aceitasse de volta numa boa, sem questionar.
Eu achei que eles fossem se abraçar e chorar, achei que rolaria até um beijo gay. Mas quando o John pulou no pescoço de Sherlock no primeiro momento que o viu, eu entendi que ele estava certo. Eu reagiria da mesma forma.
Eu não sei porque tô dizendo isso, não consigo ver a serie sem comprar a nós duas.
Você é minha melhor amiga, Emy, você faz parte da minha família, eu faria qualquer coisa por você. Qualquer coisa. Só que eu sinto que não é mutuo. Eu sei que sim, bem no fundo eu sei, a minha mente sabe. Ou, pelo menos, ela quer acreditar piamente nisso, eu quero confiar nela, me agarro a esse pensamento com toda a garra como se minha vida dependesse disso. E acho até que depende.
Mas eu não sinto. Meu coração não consegue sentir, acreditar.
Ele... bem, eu. Eu preciso de uma prova.
Como o John precisou quase morrer para se dar conta que o amigo merecia oura chance. E mesmo que não merecesse, eles voltariam a ser amigos porque dependem um do outro.
Conversar com você não adianta, não é? Eu achei que tivéssemos nos entendido, que tivéssemos resolvido tudo e que íamos ficar bem agora. Mas eu puxo você um passo pra frente e você da dois pra trás.
Você é impossível. Tá bastante difícil lidar com isso agora.
Um dia você vai saber disso, porque eu vou te dizer, mas por enquanto, eu não posso arriscar te perder de novo. Então vou só fingir que está tudo bem.
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