Eu notei que sair de casa, conviver com pessoas reais, me deixa melhor. Me refugiar no meu mundinho virtual me quebra.
Eu sinto um vazio muito grande dentro do peito, às vezes. Como se ali costumasse ter algo e agora não tem mais. Por outras vezes, sinto que falta espaço dentro de mim. Uma dor nauseante, quase física, no coração. Um aperto que parece não ter fim. Uma dor que eu achei que tivesse parado há um tempo, mas que voltou agora.
É como se eu estivesse espremendo meus órgãos uns contra os outros para reduzir o espaço. O coração não consegue bater mais como antes. O estomago se reduz e não aguenta muita comida. Os pulmões não conseguem se estufar muito anymore. Tudo dificulta. Tudo dói.
Eu sinto falta de quem eu era aos 11, 12 anos. Ingenua. Sem saber o que era a realidade, o que isso me custaria, o que me esperava pela frente. Eu queria voltar àquela época, mas não posso. Minha amiga disse que essa é a graça na vida: não poder refazer suas escolhas.
Mas eu não tenho uma vida anymore. Eu não vivo mais. Meu corpo está aqui, mas minha alma já se foi.
Eu mantenho tantos pensamentos suicidas ultimamente... Me desafio a pensar se teria coragem de realmente me matar, de cortar minha pele, de me jogar na frente de um veiculo em movimento.
Quando estou com minhas amigas no shopping ou na rua, esses pensamentos me chegam e me deixam tão rápido que nem chego a considera-los. Mas quando estou em casa, só eu e minha mente, tudo é tão possível, capaz... eu poderia pegar uma faca na cozinha, me trancar no banheiro e cortar o meu pulso. Fácil. Rápido. Simples.
Então por que eu não o faço?
Tudo o que eu gostei de ser, quem eu era, a pessoa que eu gostava e queria ser, aquela garota que vivia no MSN, no mundo virtual dela e se divertia horrores, aquela que trocava o convívio social para ler um livro... Ela me abandonou. Ela me deixou com a dor e foi embora. Ela me faz sofrer. Ela morreu. E a dor dela ficou em mim. Tudo o que eu ainda tinha dela, lembranças, histórias, textos, poemas, tudo se apagou. Não resta nada, só dor.
Dor e dor e dor. Física, emocional, constate, infinita, dolorosa, chamativa, mórbida.
Não tenho vontade de fazer nada. Só deitar e ficar olhando pro teto. Pensando na dor. Pensando na morte. Desejando que ela chegue logo.
Eu já desejei, secretamente, milhares de vezes, ter câncer. Eu sei que é um desejo horrível, mas eu desejei. Quando a pessoa é doente, todos estão preparados para a morte súbita, todos esperam a morte com o coração pré-anestesiado, todos sabem o que vai acontecer e sabem que pode ser a qualquer momento. Quando a pessoa é saudável, todos sabem que ela vai morrer cedo ou tarde, mas todos esperam que seja tarde. Ninguém está preparado, nem pré-anestesiado, nem esperam que aconteça a qualquer momento. A dor é maior? Não sei, talvez. Talvez não. Talvez não faça diferença. Vai doer de qualquer maneira. Mas eu sou egoísta o suficiente para não pensar na dor dos outros, me concentrar na minha. Me concentrar em acabar com a minha dor.
Suicidas, me digam, o que acontece depois? A dor acaba? Diminui? Como é? Qual a sensação? Eu vou sentir o mesmo? Eu quero sentir o mesmo? Eu realmente quero saber? Me ajudem, me respondam.
O que acontece depois?
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